Mulher passa 25 anos com tesoura na barriga em SP

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Há 25 anos, a dona-de-casa Sueli de Paula Viana, 50 anos, deu à luz ao filho Nelson Wedsley de Paula Viana, em Brás Cubas, distrito de Mogi das Cruzes (Grande SP). Desde então, ela sofre com dores crônicas na barriga e nas pernas, mal-estar e hemorragias. Passou por vários médicos, realizou vários exames, teve de parar de trabalhar, mas não descobria a causa do problema.

Até que, há dois meses, um raio-X apontou a presença de um objeto estranho em seu abdômen: uma tesoura. Segundo Sueli, o objeto foi esquecido na cesariana, feita pelo médico Golbert Borges, já morto, no Hospital Santana, em Mogi.
Anteontem, Sueli procurou a delegacia para registrar o ocorrido, e um inquérito policial foi instaurado para apurar o caso. O advogado dela, Carlos Lukareski, pedirá indenização ao hospital por danos morais e materiais. “Confesso que agora eu tenho medo, estou preocupada. Quando eu não sabia o que havia, sentia dores quando a tesoura se movimentava, mas não sabia que tinha algo estranho dentro de mim. Fiquei três anos fazendo tratamento para diabetes, minha barriga ficou defeituosa e perdi meus dentes pela quantidade de antibióticos que tomei sem saber qual era a causa do problema”, afirma Sueli.
Ela conta que sempre foi independente e sofreu muito por ter de deixar diversos empregos devido às dores que sentia. “Trabalhei em boas empresas, mas não parava porque tinha muita dor. Vivo agora de bicos, trabalho como segurança, cuido de crianças, o que consigo fazer”, diz.
Sueli afirma que há seis anos não entra em agências bancárias porque cansou de ser “barrada” no detector de metais. “Se você me perguntar como é um banco por dentro, eu não sei. Não consegui entrar várias vezes porque o detector apitava e eu não sabia o porquê. Desisti de ir ao banco, meu filho paga as contas para mim”, afirma.

No dia do parto, em 5 de maio de 1983, Sueli entrou na sala de operações às 2h da madrugada. A cesariana foi complicada, e a anestesia não pegou. Ela foi totalmente sedada e acordou só 13 horas depois, sentindo dores. “Meu filho se sente culpado, mas eu disse que ele não tem culpa de nada. Meu advogado quer pedir indenização. Se fosse por mim, não teria nada disso. Esta história prejudicou a minha vida, mudou meu destino. Só Deus sabe o que estou passando”, afirma a dona-de-casa.
Agora, Sueli tem certeza de uma coisa: vai passar por uma cirurgia para retirar a tesoura. “Eu não me sinto bem, meu psicológico ficou abalado com esta história. Se fosse com outra pessoa, eu não acreditaria”, afirma.
Procurado pela reportagem, o Hospital Santana não se manifestou sobre o caso.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/

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